quinta-feira, 14 de julho de 2016

Como Cai no Enem 2016: empoderamento

Simone de Beauvoir foi a protagonista de uma das questões da prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias da edição 2015 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Além de tratar sobre o feminismo, discussão crescente dentro da sociedade, abordava um conceito ainda mais amplo: o empoderamento. Para entender como o tema pode voltar a cair na edição deste ano do exame, a Universia Brasil conversou com o professor de História, Sociologia e Filosofia Rodolfo Neves do Cursinho Poliedro, de São Paulo.
A prova do Enem é bastante ligada com a questão dos direitos humanos e o acesso aos mesmos. Segundo Neves, “se nós trabalharmos o conceito de empoderamento como sendo o de acesso ao poder, diretamente relacionado à noção dos direitos, quem tem o poder é livre para fazer”. Além disso, explicou que, ao empoderar uma pessoa ou um grupo delas, automaticamente é dada sua liberdade e a garantia dos direitos.
Embora o empoderamento seja um termo facilmente conectado à ideia do movimento feminista, não está restrito a ele. Definindo o conceito, o docente disse que “remete a qualquer tipo de ação que estende o acesso de direitos a grupos, comunidades e pessoas que, por algum motivo histórico ou social, estão de alguma forma isolados ou marginalizados deles”. Alguns dos exemplos que podem aparecer na prova do Enem são voltados para a questão racial, de gênero e de grupos homoafetivos.
O professor defende também que o empoderamento pode estar presente no Enem por meio de alguma discussão acerca de representatividade. “[O aluno pode ter que falar] sobre uma sociedade plural, com vários grupos que tenham representatividade, permitindo que eles tenham empoderamento e uma posição autônoma dentro da sociedade brasileira”, exemplificou Neves.
 Dentro dessa lógica, defendeu que pode aparecer na prova a ideia de que quanto maior a representatividade, maiores as chances das pautas específicas de cada grupo ganharem voz. Segundo o docente, “é importante sempre ter uma política plural que não tenha somente um ou outro grupo tendo acesso ao poder e sim todos os grupos, porque isso faz parte da própria democracia. Penso que o Enem pode trabalhar temas nesse sentido”.
Quais temas podem aparecer no Enem?

Neves disse que, por ter sido abordado em 2015, o empoderamento feminino dificilmente aparecerá este ano. No entanto, é possível utilizar momentos históricos importantes para falar sobre o assunto, considerando outros grupos que não o das mulheres. Os dois temas citados, que têm potencial teórico para serem abordados, são o empoderamento negro das décadas de 1940, 1950 e 1960 e o dos quilombolas.
Considerando primeiro caso, o professor contou que, neste período histórico, havia marchas de direitos dos negros nos Estados Unidos. “Aquilo é um momento no qual um grupo que não tinha acesso aos direitos vai para as ruas, o espaço público, e nele demonstra suas demandas, apontam quais os problemas e deixam claro que querem sim fazer parte desse universo de direitos”, exemplificou.
Já o segundo deles leva em conta o empoderamento quilombola. Para Neves, “empoderar esse grupo é dar condições para ele ter acesso à terra, aos meios econômicos de sobrevivência, à educação” e esse pode ser um tema que se faça presente em alguma das questões das provas do Enem 2016.

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