quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Para focar no Enem, jovem pede que irmão mude sua senha no Facebook

Fonte: G1 - GLOBO

A estudante Renata Silva Santos, de 18 anos, vai fazer seu primeiro Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) "a sério" neste ano, e seu desafio é grande: conseguir uma vaga em medicina na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) ou uma bolsa para o curso da Faculdade de Medicina do ABC, na Grande São Paulo. Por isso, uma das estratégias que a jovem adotou para se preparar foi pedir para o irmão mudar sua senha do Facebook, para que ela evitasse se distrair na rede social enquanto estudava pela plataforma Geekie Games.

A ideia de deixar o irmão trocar sua senha para ficar propositalmente sem acesso ao Facebook veio de uma entrevista que Renata leu. "Havia lido uma reportagem de um garoto que passou no vestibular e ele fez isso. Aí a luzinha acendeu", contou ela ao G1.
A distância do site foi difícil só no começo, lembra a jovem, que, na época, namorava e tinha problemas para controlar os ciúmes. A reação dos amigos também a surpreendeu. "A maioria achou que fiquei meio bitolada, uns até pararam de falar comigo e me chamar pra sair", disse. "Liguei no início, mas agora tanto faz. Se deixaram de falar comigo porque estava me dedicando a algo que quero, não são meus amigos de verdade."As provas do Enem 2014 acontecerão nos dias 8 e 9 de novembro e, com exceção de um período de cerca de um mês entre setembro e outubro, a jovem diz que está ausente do Facebook desde o fim de março. "Não entrava desde meados de março/abril, mas um professor novo na escola mandava tarefas pelo grupo [no Facebook]. Reativei em setembro, desativei porque o professor deixou minha turma", disse ela, explicando que a nova mudança de senha aconteceu no dia 5 de outubro.
Depois que ela se habituou, mesmo as esporádicas voltsa à rede social não atrapalham mais seus estudos. Ela diz que pega os arquivos de que precisa e não "desvia" mais o seu tempo. "É que as vezes a procrastinação puxa pelo pé e dez minutos se transformam em 60." Para a estudante, seu ponto fraco não está na navegação pelas fotos dos amigos, mas nas páginas que publicam conteúdo viral de assuntos do seu interesse, como ciência.
Geekie Games + apostilas
Renata cursa o terceiro ano do ensino médio em uma escola técnica estadual (Etec) em São Bernardo do Campo, na Região Metropolitana de São Paulo. Ela fica no colégio entre as 7h e as 12h20 e, depois de almoçar e tomar banho, procura estudar em casa das 14h às 22h. Seu método de estudo individual é uma combinação entre as apostilas tradicionais de dois cursinhos e um colégio particular, e as aulas direcionadas da plataforma Geekie Games.
Ela conta que faz as aulas indicadas no Geekie e, então, responde aos exercícios na plataforma. Depois, vai para os livros e realiza os exercícios da mesma matéria. As apostilas também servem para tirar uma ou outra dúvida que ficaram durante a aula on-line. "A linguagem [do Geekie] é bem fácil de entender, assim como as associações que fazem. E colocam de forma interessante o dia-a-dia dentro do universo didático."
Aos sábados, ela faz um cursinho especial para vestibulandos de medicina das 7h às 12h30, com aulas de biologia, física e química. No período da tarde e aos domingos, a jovem ainda trabalhava, até o início do mês, como garçonete em um buffet, e os estudos ficavam no tempo livre. "Sempre tem aquelas brechas de tempo que dá pra fazer uma revisãozinha", diz ela.
Até agora, Renata diz já ter cumprido todas as aulas e exercícios do seu plano de estudos individualizado indicado pelo Geekie Games. "Agora preciso fazer o simulado", disse ela, que diz passar entre quatro e cinco horas por dia na plataforma.
Primeira da família
Renata é a mais velha de quatro irmãos (dois meninos e duas meninas) e, se conseguir uma vaga no vestibular, se tornará a primeira pessoa da família a fazer faculdade. Seu pai é promotor de vendas e sua mãe trabalha como ajudante geral.
O sonho de estudar medicina ela nutre desde os 12 anos, quando um problema no joelho que ela apresentou durante um treino de ginástica artística virou uma suspeita de câncer, e ela foi parar na Fundação Santo André. A bateria de exames que ela fez no hospital mostraram que ela não tinha a doença, mas o trabalho dos profissionais a deixaram impressionada.
"Vi o cuidado que eles tinham com as pessoas, e abdicar de grande parte da vida pessoal em prol da saúde e bem estar de outro é uma das maiores contribuições que se pode fazer como ser humano", afirmou a jovem vestibulanda, que pretende um dia ser oncologista. "Nosso estilo de vida precisa de mais oncologistas ajudando", disse.

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