segunda-feira, 28 de abril de 2014

Sem pressão

Por: Camila Mitye / Educador Brasil Escola

Época de vestibular é tempo de tensão familiar. O jovem vestibulando passa horas por dia estudando, abre mão de várias coisas em sua vida e entra em uma rotina que acaba envolvendo toda a família. Tudo pelo bom desempenho do filho em uma prova que pode ser um divisor de águas em sua vida.

Sem dúvidas, tudo o que um pai quer de um filho é que ele tenha um “futuro brilhante”. Os pais querem que os filhos sejam bem sucedidos profissionalmente, que ganhem bem, que sejam líderes e muitos até refletem neles os próprios sonhos. Mas até que ponto isso é bom para o jovem?

Tudo isso, nessa fase da vida em que o jovem deve decidir seu futuro com apenas 17 anos de idade, acaba gerando algo que talvez ele não consiga suportar: a pressão. Ela vem de todos os lados, da escola, dos professores, dos colegas (ou concorrentes) e claro, do próprio adolescente. Não seria mais fácil se os pais o ajudassem a amenizar essa pressão ao invés de aumentá-la?

Porém, a realidade não é bem assim. Uma pesquisa realizada recentemente em Belo Horizonte mostrou que 85% dos pais perguntados afirmaram que o sucesso profissional dos filhos é o que mais os angustia. E assim, querem escolher a profissão dos filhos, a faculdade, os estágios e até mesmo os amigos e a namorada, tudo em benefício de uma carreira profissional perfeita.

O que pais e mães precisam entender é que o melhor jeito de ajudar seus filhos é não atrapalhar. Cobranças excessivas por notas, exigir que o filho fique 12 horas por dia debruçado sobre os livros e escolher o curso que ele deve fazer só prejudicará o desempenho do jovem que acaba interpretando tanta pressão como se ele não pudesse falhar. E falhar, nessa etapa da vida de um jovem, é completamente normal.

Chantagem

Alguns pais chegam ao absurdo de chantagear os filhos em troca de boas notas ou da aprovação naquele vestibular. Carros, viagens, roupas, tênis, tudo o que é sonho de consumo dos filhos viram objetos de um “escambo” nocivo para o relacionamento familiar. Ora, o que os pais precisam ensinar aos filhos é que o único prêmio para quem passa no vestibular é a vaga em uma boa universidade, que lhe garantirá um futuro melhor. Ensinar por meio de chantagem é um mau exemplo que pode refletir no futuro desses jovens.

O castigo também deve ser evitado. Seu filho ainda está aprendendo, mas já passou da fase de ficar de castigo por não ter feito o dever de casa. Deixá-lo sem sair ou sem ver os amigos por não ter tirado uma boa nota só irá gerar revolta e desentendimento. Além disso, a hora do estudo deve ser encarada pelo jovem como um momento de prazer e não um castigo penoso imposto pelos pais. Comparações com familiares ou amigos dos filhos também devem ser evitadas, pois podem gerar frustrações desnecessárias nos adolescentes.

A melhor solução para todos esses dilemas foi, é e sempre será o diálogo. Conversar com os filhos, entender o que estão passando, seus medos, angústias e fazer com que confiem em seus pais. Nessa época, eles ainda são imaturos, têm de entender que podem sim cometer erros e que os pais estarão lá para apoiá-los em caso de vitória ou derrota.


Incentivar os filhos, fazer com que não estudem por tempo demais, que não deixem de ver os amigos, mostrar a eles que são aliados e não inimigos. Essas são ações simples, que podem melhorar – e muito – a relação entre pais e filhos e ajudar os jovens a passar tranquilamente por esse período. E claro, um ambiente saudável em casa, com apoio dos pais e o diálogo constante pode sim garantir o auxílio necessário para que o jovem consiga a aprovação em um vestibular.

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