sexta-feira, 4 de abril de 2014

Salas de aula invertidas, uso de impressora 3D e outras tendências do ensino superior

Por: Veja

Em quatro anos, as salas de aula das universidades estarão mais distantes do modelo "professor falando, alunos tomando nota" e mais próximas do universo tecnológico. É o que aposta um estudo divulgado pelo New Media Consortium, grupo americano que pesquisa tecnologias e tendências educacionais, feito com 53 pesquisadores de treze países, incluindo o Brasil.

O levantamento aponta tecnologias e práticas apoiadas nessas inovações (confira destaques na lista abaixo) que já estão transformando as universidades. O horizonte final do estudo é o ano de 2018. Invenções recentes — como as impressoras 3D e os acessórios inteligentes, os wearables, gadgets para uso pessoal que podem monitorar sinais do organismo do usuário — devem servir de suporte para a aprendizagem. Simultaneamente, cursos de ensino a distância, já disseminados pelo mundo, vão se expandir e agregar novas tecnologias, como assistentes virtuais e redes sociais para aumentar a interatividade nas aulas.
Em entrevista ao site de VEJA, a diretora do estudo, Samantha Becker, afirma que os avanços tecnológicos, ainda que não disseminados em todas as universidades do mundo, pautarão as discussões do setor nos próximos cinco anos. "Na América Latina, algumas tecnologias, como a impressora 3D, podem demorar um pouco mais para chegar ao ensino superior. Assim mesmo, acreditamos que os educadores precisam tomar conhecimento dessas inovações para preparar estretágias de uso em sala de aula."
Ao contrário do que possa parecer, os avanços não pretendem substituir o professor – ao menos na valiosa tarefa de ensinar, diz Becker. As chamadas salas de aula invertidas, por exemplo, são apontadas como tendência que deve chegar às universidades no ano que vem. Nesse modelo, o professor assume o papel de parceiro na aprendizagem e curador de conteúdos, enquanto o aluno pesquisa temas em casa: o tempo de sala de aula é usado para resolver problemas em conjunto, ampliando o aprendizado colaborativo – outra tendência apontada pelo estudo.

Becker reconhece que ainda há resistência por parte de alguns docentes às tendências apontadas pelo estudo. "Infelizmente, muitos professores não têm a chance de receber um treinamento adequado para usar a tecnologia em sala de aula. Eles precisam entender como ela se encaixa no sistema educacional e como pode ser usada para fornecer conhecimento ao aluno", diz.
As tecnologias usadas para rastrear os hábitos dos usuários nas redes também são apontadas pela NMC como tendência para os próximos anos. Segundo o estudo, experiências recentes mostram que elas podem ajudar os professores a entender melhor a atividade on-line dos alunos e, com base nisso, modificar suas estratégias de aprendizagem e avaliação. Nesse contexto, os estudantes também produziriam seus próprios conteúdos para serem usados nas aulas – e não apenas como produto final da aprendizagem, como é feito hoje.

"Estamos vendo uma mudança de padrões em que estudantes deixam de ser consumidores de conteúdo e passam a produzi-los. O ensino ganha muito com isso, pois quando os alunos incorporam em seu aprendizado ferramentas que eles já conhecem e estão habituados a usar, como aplicativos para tablets, eles sentem que participam do processo acadêmico."

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