quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Por que todos precisamos aprender ciências?

Fonte: Porvir
Por Mário D. Domingos
 
As ciências estão tão presentes no cotidiano e de forma tão natural que muitas vezes nem percebemos. Por exemplo, consertos simples que realizamos em casa envolvem conhecimentos sobre circuitos elétricos. Ler uma bula de remédio e interpretar uma conta de luz são outros exemplos do uso de conhecimentos básicos em ciências. Há também os temas que envolvem decisões políticas, como aborto, mudanças climáticas, alternativas energéticas, transgênicos, tecnologia nuclear, produção de alimentos, abastecimento público, poluição, dentre outros. A lista dos assuntos que trazem a ciência para nosso cotidiano é enorme.

A evolução tecnológica é diária e incorporamos isso na mesma velocidade. Olhe seu celular que virou smartphone. O seu livro se transformando em e-reader. É fácil ver pessoas pelas ruas utilizando seus tablets, aparelhinhos que os conectam ao mundo, ao trabalho e à família. Logicamente, um usuário comum não precisa saber como os processadores e telas touch screen funcionam. Mas existe alguém que cria e desenvolve esses equipamentos.

Criar e desenvolver significa agregar valor a produtos, portanto é algo ligado ao desenvolvimento econômico. Quem são as pessoas que fazem isso? Como eles são estimulados a seguir as carreiras científicas e tecnológicas? Passamos por uma crise, que tende a crescer. Faltam técnicos, engenheiros e cientistas. Mas, afinal, estamos falando sobre economia ou ciência agora? Sobre ambos. A cultura científica, aprendida na escola, desde o ensino fundamental e depois ampliada e difundida através da popularização da ciência, pode ajudar a mudar esse quadro.

E existem várias formas de se fazer isso. O hábito de buscar conhecimento – independentemente do tema – deve surgir bem cedo e ser contínuo. A internet é um canal incrível para levantar informações. Além disso, há uma variedade de meios para a cultura científica ser disseminada como em museus e exposições, cursos e oficinas, peças teatrais, revistas e cadernos especializados em ciências, publicados semanalmente pelos principais jornais.



Mas a escola também deve assumir seu papel de fazer a criança ter contato com o prazer da descoberta, de preferência desde o ensino infantil. O professor, nessa etapa, não vai ensinar conteúdos estritamente, mas deve ser pautado por eles para que suas práticas façam a criança se encantar pela ciência. No decorrer da vida escolar, o contraturno pode contribuir muito para desenvolver aptidões científicas – assim como ocorre nos clubes de ciências, muito comuns na Europa, que expandem no tempo e no espaço a discussão sobre a disciplina.

Toda essa presença da ciência no cotidiano da escola deve ser potencializada por professores bem formados para tal. Nos países desenvolvidos e naqueles que se destacam em inovação e tecnologias, como alguns asiáticos, os professores têm, em todos os níveis de ensino, conhecimentos específicos da área de ciências. E precisamos disso aqui.

As novas tecnologias, a evolução da comunicação e das redes sociais precisam estar inseridas no cotidiano escolar como ferramentas para ensino. Esse é atualmente um grande desafio, dada a velocidade das mudanças, que nem sempre são acompanhadas pelos professores da mesma forma que pelos jovens, totalmente inseridos na cultura digital. Mais do que a tecnologia em si, porque podemos usar um celular ou uma lousa digital facilmente, a questão é como utilizar tudo isso para garantir um efetivo aprendizado dos alunos.

Outro aspecto a ser considerado é que a ciência deve ser atraente aos nossos alunos. As novas tecnologias, que são uma das principais expressões da ciência no nosso cotidiano, já são bastante sedutoras. Mas é preciso apresentar toda a essa beleza de forma completa. Olhar o mundo através de um microscópio ou descobrir algo por meio de um experimento deve encher crianças e jovens de satisfação. A ciência não deve estar só nos livros didáticos. Suas páginas devem, contudo, direcionar os olhos dos alunos para além de suas folhas do papel, num percurso que se inicia no ambiente da sala de aula e termina, quem sabe, nas estrelas. Afinal, como diz o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), “popularizar o conhecimento científico é contribuir para desenvolvimento social e ampliação da cidadania”.


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