sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Tatuagens atrapalham início da vida profissional


 
Para conseguir trabalhar em uma companhia aérea, a estudante Flávia Cristina Veloso dos Santos, 21, viu-se obrigada a retirar sua única tatuagem.
"Eu a fiz há três anos e nunca pensei que ela me prejudicaria profissionalmente", comenta.

O desenho de uma pequena borboleta na nuca causou-lhe problemas na primeira busca por um emprego no setor de eventos, como promotora. "Nem todas as empresas aceitam pessoas tatuadas", admite.
Ter desenhos no corpo e colocar piercings são iniciativas cada vez mais acessíveis. Existem estúdios de tatuagens até mesmo em shopping centers.
Ainda assim, no mundo corporativo, ostentar tais adereços dificulta a carreira -sobretudo a de iniciantes-, ressalta Fernanda Campos, sócia-diretora da Mariaca InterSearch.

"O candidato deve ficar atento ao perfil da profissão que quer seguir e das empresas em que gostaria de ingressar antes de fazer uma tatuagem em um lugar visível", explica Campos.
Nuca, pescoço, pulsos e tornozelos são os locais que mais chamam a atenção dos contratantes. Marcas nesses locais, portanto, podem criar dificuldades para o candidato conseguir a tão almejada vaga.
Mentir sobre ter tatuagens ou piercings também está fora de cogitação. "Denota falta de ética", decreta Campos.

Algumas profissões, como o de comissária de bordo, sonho da estudante Flávia Santos, não admitem pessoas com desenhos em locais visíveis. "Ter uma tatuagem em um local que não aparece no uniforme já não é bem-visto pelas empresas; já em uma parte visível do corpo praticamente anula as chances de a pessoa ser contratada", enfatiza o coordenador do Ceab (Centro Educacional de Aviação do Brasil), Ricardo Augusto Marques.

Aos que desejam seguir carreira no funcionalismo público, especialmente os profissionais do setor jurídico, o juiz federal William Douglas, autor do livro "Como Passar em Provas e Concursos" (ed. Campus/Elsevier), é categórico: "Tatuagens não devem ser feitas e, se existirem, devem ser retiradas".
"Elas já apresentam hoje melhor aceitação popular, mas as bancas avaliadoras ainda são compostas de antigos profissionais, que não as vêem com bons olhos", observa Douglas.

Ramon Mateo Jr., 48, juiz de uma vara cível de Santos e magistrado há 18 anos, foi contra essa indicação e recentemente fez uma tatuagem no braço.
Como trabalha de terno, poucos colegas sabem da novidade. Mas Mateo admite que, se ele tivesse esse desenho no corpo quando prestou concurso, talvez não tivesse conquistado a posição que ocupa hoje. "Não existe regra que impeça o candidato de ter tatuagem. Mas ainda há certo nível de preconceito", argumenta.
Fonte: (Folha de S.Paulo)

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