terça-feira, 21 de agosto de 2012

Terminei meu curso: quem me arranja um emprego?

 

Se perguntarmos a qualquer criança o que ela quer ser quando crescer, muito provavelmente a resposta estará na ponta da língua. O caminho para a carreira brilhante arquitetada em sua cabeça é descrito mais facilmente ainda: escola, faculdade, emprego dos sonhos. Longe do mundo da imaginação, no entanto, as coisas já não são tão simples. Quando – em vez da bicicleta, do desenho animado e da tarefa de casa – as preocupações são a realização pessoal, o futuro profissional e o bolso, encontrar um rumo é o maior obstáculo para muita gente.
Quando dizem que sem um diploma é difícil conseguir um futuro na vida, parece que, com ele, tudo será fácil. Ledo engano. Não são poucos os profissionais que, recém-formados, enfrentam o drama de não saber o que fazer. Nessas condições, muitos têm dificuldade de conseguir emprego. E, entre os que conseguem, outros tantos atuam em áreas diferentes das quais se graduaram.
"O mercado parece, no momento, não ser capaz de aproveitar estudantes de tantos cursos superiores formados a cada semestre. Além disso, muitos estudantes já trabalham enquanto estudam, e preferem continuar investindo nas empresas em que atuam – embora, eventualmente, em áreas diversas da formação acadêmica", explica Elizabeth Carvalho, diretora de Grupos de Estudos da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Rio Grande do Sul (ABRH-RS).

Na faculdade
Planejar a vida profissional ainda durante a graduação é um bom começo para minimizar as dificuldades após a conclusão do curso. "É importante que o estudante se familiarize com as opções oferecidas pelo mercado enquanto está na faculdade, o que pode ser feito por meio de estágios, visitas técnicas a empresas ou participação em grupos de estudo, nos quais a convivência com profissionais já atuantes no mercado vai ajudá-lo a construir uma ideia mais realista do ambiente profissional e de suas alternativas", afirma Elizabeth.
A analista de projetos Tatiane Oliveira sabe bem da importância disso. "Estagiei durante dois anos e, ao fim, fui contratada", afirma, ressaltando que a experiência foi um fator decisivo, já que, na maioria das empresas, é uma dos requisitos na hora de contratar. De acordo com Eduardo Oliveira, do CIEE, "o índice de efetivação de estagiários no Brasil é de 64%, e só não é maior porque, no caso das empresas públicas, é necessário concurso para que um profissional seja efetivado".
Na hora de procurar uma atividade prática durante a graduação, no entanto, é necessário tomar alguns cuidados. Caso contrário, as consequências para o futuro profissional podem acabar não sendo positivas. "Em primeiro lugar, analisar a compatibilidade com o que se está cursando, pois é o que vai agregar valor. Depois, ponderar se vai ser mesmo possível conciliar com os estudos", ressalta Eduardo Oliveira.
Com as experiências práticas, os estudantes podem conhecer melhor a profissão em que pretendem atuar, além de terem ali uma oportunidade de identificar se aquela é mesmo a carreira que quer seguir. "Sugerimos que os alunos conheçam as possíveis áreas de seu curso e se candidatem para aquelas oportunidades com as quais tenham realmente afinidade ou interesse em seguir carreira. Dessa forma, irão aprofundar seus conhecimentos e adquirir prática", destaca Patrícia Bach, coordenadora de Seleção da Link/ABRH-RS Estágios.

Com o diploma na mão
Manter-se presente no mercado, mesmo que sem emprego, é a primeira dica para os recém-formados. "É fundamental não se afastar do ambiente profissional, participando de eventos que agreguem conhecimentos e possibilitem se informar sobre oportunidades de trabalho ou de experiências relevantes. Recomendo manter o foco e formular uma agenda de ações e compromissos, que o mantenham em atividade, aproximando-os dos seus objetivos", ressalta Elizabeth, da ABRH/RS.
Ativar o network nesse momento também é indispensável, pois é por esse canal que costuma surgir a maior parte das propostas de trabalho. "Após a formatura, é interessante acionar a rede de relacionamentos, que pode repassar oportunidades interessantes para o início da jornada profissional", completa Elizabeth.
Por fim, a especialista afirma que, aparecendo uma chance, o ideal é aceitar, mesmo que não seja ainda a vaga considerada ideal para os planos do profissional. "O objetivo primordial, nesse momento, é a aquisição de experiência. Um projeto desafiador, que proporcione aprendizagem e valorize seu currículo, deve ser considerado", destaca Elizabeth. A analista de projetos Tatiane Oliveira é um exemplo de quem seguiu essa dica e se deu bem. "Comecei em uma área totalmente diferente da minha e depois tive a oportunidade de evoluir dentro da empresa", conta.
Antes de dizer sim, no entanto, é preciso prestar atenção nas armadilhas. Um cuidado importante nesse momento deve ser com a reputação de quem contrata. Associar-se a empresas ou profissionais que não possuam boa fama no mercado – ou apresentem valores e métodos de trabalho questionáveis – pode pesar desfavoravelmente no futuro. 


FONTE: Administradores 

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