sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Estágios e trainees dos sonhos atraem milhares de candidatos


RIO - Eles cruzam o país a trabalho, têm salários que chegam a R$ 5 mil e despontam como fortes candidatos a se tornarem diretores e até sócios nas empresas em que trabalham. Não, eles não são executivos, mas estagiários e trainees das melhores empresas para se começar a carreira. Jovens universitários ou recém-formados enfrentam concorrências semelhantes a concursos públicos, em que a disputa chega a três mil candidatos por vaga.

Carolina Pirmez tinha acabado de chegar de um treinamento em São Paulo quando posou para a capa do caderno. A vida profissional agitada, de uma cidade pra outra, faz parte do universo dos trainees da Unilever, onde trabalha. Para estar entre os 32 aprovados do último processo seletivo, concluído em janeiro deste ano, Carolina enfrentou outros 47 mil candidatos.
— Eles (os avaliadores) não priorizam muito o conhecimento técnico, querem um perfil de liderança, alguém que tenha potencial para aprender. A empresa não forma apenas trainees, que são dispensados depois, ela forma gerentes mesmo — conta Carolina, que concluiu o curso de Administração na PUC do Rio em 2011.
O salário inicial de R$ 5 mil revela o nível dos candidatos aprovados, como Carolina, que fala inglês fluentemente e já morou em países como Nova Zelândia, França e Estados Unidos. Até receber a notícia da aprovação, foram diversas etapas, desde avaliações online — que incluíram um jogo de simulação com ambiente semelhante a “The Sims” — até dinâmicas e entrevistas. Hoje ela trabalha no setor de vendas do canal de farmácias do Rio de Janeiro e, depois de gerente, ela pode chegar ao cargo de diretora em dez anos.
— O programa de trainee é a melhor opção para recém-formados. Fui para a Unilever por ser uma empresa multinacional e líder de mercado — diz Carolina.

Já Jonathan Almeida, de 22 anos e aluno do 9º período de Engenharia de Produção da UFRJ, crê que o diferencial de sua experiência na Visagio é a orientação e a liberdade para trocar ideias. Ele conta com um mentor, um funcionário responsável por acompanhar sua trajetória na empresa. Apesar da hierarquia, ele afirma que tem muita liberdade nos relacionamentos interpessoais. A Visagio, por sinal, foi eleita uma das melhores para se trabalhar no Brasil, segundo a consultoria Great Place to Work.
— A empresa tem três áreas, chamadas núcleos, que se comunicam. Não há uma divisão exata. Quando fiz entrevista com o sócio da empresa, conversamos sobre diversas coisas e ele quis saber quais eram os meus interesses. Esse foi o diferencial em relação às outras empresas para as quais eu também tentava uma vaga.
O programa de estágio da Visagio não tem um número específico de vagas, que variam conforme a quantidade de candidatos que se encaixam no perfil da empresa. Depois de aprovado, o estudante pode passar por três níveis de estágio, sendo o terceiro já considerado como trainee. O salário entre esses níveis varia de R$ 1.500 a R$ 2.400 para quatro horas de trabalho. Ao ser contratado, o trainee se torna consultor associado e, futuramente, poderá até ser sócio da empresa.
Para entrar na Ambev, o trainee Renan Trzesniouski, de 23 anos, e os demais 19 candidatos aprovados tiveram que deixar para trás quase 75 mil pessoas no processo seletivo do último ano. Formado em Engenharia de Produção pelas Faculdades Campinas (Facamp), Trzesniouski se impressionou com o nível dos concorrentes.
— Depois da entrevista individual e do painel, todos tinham capacidade para serem aprovados. Acredito que passei porque demonstrei personalidade. Também sempre estive ligado a esportes, participei da seleção brasileira de rugby, morei nos Estados Unidos por um ano e fiz trabalhos voluntários. Essas coisas só agregam valor — afirma.

O trainee diz que o salário é bom, mas não foi o ponto determinante para escolher a Ambev. A mesma visão da carreira tem Maurício Pedroza, de 23 anos, que faz estágio na área de logística da Coca-Cola, outra empresa que sempre figura entre as mais desejadas pelos futuros profissionais.
— Como ainda não me formei, o meu foco é aprender como funciona na prática o que é aprendido na universidade, vivenciando o dia a dia de uma grande empresa. O que mais me atraiu no estágio não foi a remuneração, apesar de ser muito boa — afirma o estudante de Administração da UFRJ.

Fonte: O Globo

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